Parashá

Torah

Parashá Bereshit – Traduzindo: No Princípio – Gênesis - 1:1 – 6:8

Resumo:

Na linguagem do Midrash, D’us criou o mundo a fim de “ter uma morada nos reinos inferiores”, segundo o Tanchuma, Nasso 7:1, ou seja, para poder estar presente em um reino que não conduzisse naturalmente à consciência de Sua presença. A planta elaborada por D’us para criar o mundo de modo que ele viesse a cumprir esse propósito é a Torá. Nesse sentido, a Torá “precedeu” a criação ( segundo Rashi sobre Provérbios 8:22 ) , como um plano precede a execução. Utilizando mais uma expressão do Midrash, essa Torá primordial foi “escrita com fogo negro sobre fogo branco ( Rashi sobre Deuteronômio 33:2 ).

O mundo, porém, é apenas o palco sobre o qual deve ser encenado o drama cósmico de fazer uma morada para D’us “nos reinos inferiores”. Os protagonistas desse drama são os seres humanos, dos quais D’us fez depender a consecução dessa meta. A essência consciente do homem é sua alma. Cada alma tem um papel único a desempenhar para transformar a realidade na morada de D’us; essa tarefa especifica dá origem á personalidade singular da alma. O mundo, assim, foi criado tanto por causa da Torá como da humanidade.

Uma vez que o mundo foi feito em conformidade com a visão, o propósito e o plano nela apresentados, a Torá também constitui o guia por excelência para a humanidade viver a vida com o intuito de alcançar tais objetivos.

Contudo, antes de detalhar as instruções, a Torá descreve a criação do mundo e a gênese do povo judeu. Essa digressão é necessária para explicar como o cumprimento do propósito de D’us na terra por fim exigiu a existência de uma nação única na espécie humana – o povo judeu – que vivesse de acordo com a Torá em uma pátria determinada, a Terra Prometida de Israel. A Torá, portanto, mostra como surgiu a necessidade de um povo escolhido residindo em uma terra escolhida.

O relato da criação institui D’us, o Criador, como verdadeiro “dono” do mundo inteiro. Essa soberania Lhe possibilitaria, quando chegasse a hora, expropriar a futura pátria judaica dos povos aos quais Ele permitisse habitá-la nesse interim.

A formação do universo físico em que vivemos foi a etapa final do processo criativo. Ela foi antecipada pela criação de vários reinos espirituais, entre os quais se encontra a morada das almas antes do nascimento – cada alma é enviada a um corpo físico neste mundo a fim de realizar sua tarefa particular. Quando a humanidade se tornasse mortal, esse reino serviria também de morada para as almas depois que concluíssem sua missão na terra e morressem. De nossa perspectiva neste mundo, essa morada é conhecida, portanto como o “Mundo Vindouro”. Se a alma precisa ser “limpa” de alguma visão materialista que tenha adquirido durante sua permanência no corpo, ela entra no purgatório, um reino espiritual adicional onde ocorre a purificação, antes de ir para o Mundo Vindouro. Quando a tarefa de fazer o mundo físico propicio a revelação da presença de D’us tiver sido realizada, as almas que esperam no Mundo Vindouro serão restituídas a seus corpos físicos e viverão de novo no mundo físico aprimorado.

A Terra, em contraposição, é composta de quatro tipos de matéria física ou “elementos” que, no momento da criação, foram dispostos em quatro esferas concêntricas. Uma esfera de terra sólida, a mais pesada, ficou ao centro, rodeada de uma camada de água liquida, que por sua vez foi envolta por uma camada de ar gasoso, sendo esta cercada por uma camada de “fogo” (Plasma). No contexto do universo físico, as duas esperas superiores são chamadas de “céu”, e as duas inferiores, de “terra”.

A terra física foi criada plenamente desenvolvida, isto é, camadas de rocha sedimentar que naturalmente levariam muitos anos para forma-se já estavam prontas e assim por diante.

Todos os elementos da criação são conscientes, tanto como “espécies” coletivas quanto como entidades individuais. Eles também possuem certo grau de “livre-arbítrio” .

No momento em que a realidade física passou a existir, o tempo também ganhou existência. “Antes” desse momento, havia apenas uma hierarquia de ordem no processo criativo que precedeu o físico, mas não o tempo físico. O 25° dia do mês de Elul do ano 1, foi designado como o primeiro dia do tempo físico.

Tudo que é mencionado no relato da criação foi formado por D’us nesse momento incial, exceto o primeiro ser humano. O processo criativo que se desenrolaria durante a semana subsequente consistiu simplesmente em colocar cada coisa em seu devido lugar ou em ativá-la.

D’us é conhecido por muitos Nomes, de acordo com o atributo Divino especifico que Ele manifesta em dado momento. Nesse sentido, D’us criou o mundo físico e o Mundo Vindouro com o nome Kah (escrito com iud-hei) ; O Mundo Vindouro com a letra iud e o mundo fisco físico com a letra hei. A forma da letra hei – três lados fechados e um quarto lado aberto embaixo – faz alusão ao fato de que, como explicado acima, se a alma adquire uma visão materialista demais da vida enquanto se encontra no mundo físico, ela tem que “descer” ao Purgatório.

Por outro lado, o nome Divino usado ao longo de toda a narrativa da criação ( isto é até 2:3) é Elokim, que se refere ao atributo divino de limitação e contenção. Isso ocorre porque D’us fez o mundo de modo que funcionasse de acordo com regras estritas e consistentes. Mais tarde, com a criação da humanidade, tornou-se possível mitigar a rigidez Divina com a misericórdia Divina, representada pelo nome Havaia.

O principal atributo de D’us é o amor. Para que ele agisse com justiça estrita e severidade, Sua natureza mais essencial teve que ser ocultada. Assim, o Nome Elokim também indica ocultação Divina, enquanto o nome Havaia indica revelação Divina.

O universo físico, no momento de sua criação, era constituído de nove esferas concêntricas. A esfera externa é a da abóboda celeste. Dentro dela esta a esfera na qual as estrelas seriam colocadas. Em seguida vem as esferas designadas para os três planetas mais distantes visíveis a olho nu ( Saturno, Jupiter e Marte ) . A próxima é a esfera do Sol; dentro dela estão as esferas dos outros dois planetas visíveis a olho nu (Vênus e Mercúrio); depois há a esfera da Lua. E no interior dessa esfera mais interna se encontra a Terra. Todas estas esferas são sólidas; as oito externas são preenchidas por uma substancia primeva denominada “éter”.

A HAFTARÁ DE BERESHIT ESTA EM : ISAÍAS 42:5 – 43:10