Parashá

Torah

Parashá Chucát – Traduzindo: Gravado – Números - 19:1 – 22:1

Resumo:

A Parashá Chucát pula um período de aproximadamente quarenta anos. Primero, a Parashá discute as leis da vaca vermelha, que foram ditas no primeiro dia de Nissan (Guitin 60b), antes dos pecados dos espiões e da revolta de Corah. Mas, então nos pulamos quase quarenta anos para discutir o falecimento de Miriam e de Arão, e a conquista de Sichon e Og.

Isto sugere a questão: Qual a razão profunda pela qual a Torá opta por retroceder para uma época anterior ao pecado dos espiões, e então avançar, de repente, para o final da jornada do povo judeu no deserto?

Para responder a este problema, precisamos cuidar primeiramente de outra questão que parece confusa aqui. Próximo ao final desta Parashá, Moisés mandou os espiões para Yazer (21:32), repetindo o envio dos espiões cerca de quarenta anos antes. Poderíamos presumir que depois de ser sentenciado a perambular pelo deserto por quase quarenta anos, o povo judeu teria aprendido a lição e tomado extremo cuidado em não repetir o pecado dos primeiros espiões. Ainda assim nós vemos que em nossa Parashá os erros dos primeiros espiões parecem se repetir:

a-) os primeiros espiões se desviaram da missão para a qual foram designados. Similarmente, nesta Parashá “Moisés enviou homens para espionar Yazer” (21:32), mas ao invés de meramente reunir informações, como Moisés havia ordenado, eles se desviaram de sua missão, e “eles capturaram suas vilas”.

b-) Nesta Parashá, depois de conquistar a terra de Sichon, “o povo se estabeleceu em todas as cidades dos Amonitas, em Cheshbon e em todas as suas vilas” (21:15). Certamente, estabelecer-se nestas terras ao invés de entrar na Terra de Israel não se assemelha ao pecado dos primeiros espiões?

Na verdade, entretanto, o caso é exatamente o oposto. O povo judeu desta segunda geração não repetiu o pecado dos espiões, mas sim, procurou corrigi-lo, demonstrando entusiasmo adicional sobre a conquista da Terra de Israel. Assim, quando Moisés enviou os espiões, eles não apenas vistoriaram a terra, mas “conquistaram suas vilas”. E enquanto D’us lhes havia dito que eles conquistariam a Terra das sete nações (a Terra de Canãa), eles, no entanto, desejaram se estabelecer na terra de Sichon e Og, pois estas eram partes das fronteiras estendidas da Terra de Israel prometida a Abrãao ( Genesis 15:18).

E esta é a razão profunda de a nossa Parashá começar com uma passagem que foi dita antes do pecado dos espiões. Pois através de seu entusiasmo em entrar na Terra registrado aqui, o povo judeu conseguiu corrigir o pecado dos espiões, atingindo seu nível espiritual anterior que eles possuíam antes do pecado.

Esta mensagem se reflete também no nome da Parashá. “Chucát” deriva da palavra em hebraico “chakiká”, que quer dizer “gravado”. Pois aqui nós temos sobre o desejo do povo judeu de habitar a Terra de Israel inteira prometida a Abrãao.

A terceira porção de cinzas da vaca vermelha, oferecida por Moisés, foi guardada como “um lembrete seguro para a congregação” ( 19:9). Uma das lições aqui é que, quando uma pessoa se dedica a estender sua mão para fora e ajudar os outros ( a purificação dos outros ) , ela pode vir a negligenciar sua própria posição espiritual.

Para prevenir tal erro, a Torá nos ensina a guardar uma porção de cinzas da vaca vermelha como “um lembrete seguro” – que é crucial dedicar algum tempo para si mesmo, tanto quanto para os outros.

Como curiosidade encontramos na Mishnê Torá, leis da vaca vermelha 3:4, que segunda Rambam: nove vacas vermelhas foram preparadas desde quando esta mitsvá foi dada até a destruição do Segundo Templo. A primeira foi preparada por Moisés, a segunda por Ezra e tiveram ainda mais sete até a destruição do Segundo Templo. Espera-se segundo ele, que a décima vaca vermelha seja preparada pelo Messias.

Passagem importante nesta Parashá é o falecimento de Miriam, relatado em 20:1.

Depois em 20:12, temos a passagem que relata o motivo por que Moisés e Arão não entrariam na Terra Prometida. A primeira vista, bater na pedra, em vez de falar com a pedra, parece ter sido um erro inocente. Primeiro, Moisés errou ao falar com a pedra errada, e, como nenhuma água jorrou, ele presumiu que deveria bater na pedra, como ele fizera no passado. Afinal, por que D’us teria dito a ele para “pegar o bastão” ( v.8) se era esperado apenas que Moisés falasse com a pedra, e não batesse nela? Assim, nos precisamos entender por que o “pecado” de bater na pedra foi tão grave, tendo sido a única razão pela qual Moisés foi impedido de entrar na Terra?

Rashi explica que os atos de Moisés tiveram repercussões mais sérias neste caso porque ele falhou em santificar o nome de D’us em público. Daqui nós vemos que, quando se trata de santificar o nome de D’us, as intenções a pessoa são irrelevantes; é a realidade percebida, como as pessoas interpretarão os atos de alguém, que conta.

Na sequencia temos o relato da morte de Arão em 20:22. O texto e os relatos talmúdicos e outros, relatam que todo o povo chorou com a morte de Arão, pois ele era muito querido entre todo o povo, e principalmente porque ele promovia o amor entre pessoas que brigaram e entre marido e mulher, uma qualidade na qual ele era superior a Moisés.

Assim, Arão foi pranteado por “ toda a casa de Israel, homens e mulheres, enquanto Moisés foi pranteado apenas pelos homens ( Deuteronômio 34:8).v Outro ponto relevante na Parashá é o ataque por cobras venenosas, mas uma vez em função da reclamação do povo ( 21:6 ) .

Em 21:8 e 9 , temos a resposta de D’us para que se resolvesse o caso, com a confecção de uma cobra de cobre.

Rashi explica que a cobra de cobra que Moisés fez não era uma cura miraculosa em si, mas sim, um lembrete para o povo consagrar-se novamente a D’us: “ quando os filhos de Israel olhavam para o céu e subjugavam seus corações para o Pai Celestial, eles eram curados.

A HAFTARÁ DE CHUCÁT ESTA EM : JUIZES 11:1-33