Parashá

Torah

Parashá Córach ( nome pessoal ) – Números - 16:1 – 18:32

Resumo:

Consta nos Provérbios, “o nome do perverso apodrecerá” (10:7), sobre o que o Talmud comenta “ Que se crie mofo sobre os seus nomes, pois nós não os usamos (Yomá 38a).

Isto sugere a pergunta: Como pôde a Torá eternizar o nome de Corach, um homem que não se arrependeu, ao chamar uma Parashá inteira pelo seu nome?

Embora Corach fosse, de fato, perverso em seus atos, ele, no entanto, nutria um desejo que é apropriado para cada judeu emular: Ele queria ser o Sumo-Sacerdote. Como Rambam escreve: “qualquer tipo de pessoa” .... cujo espirito o inspira, e ele decide em sua mente se afastar (das buscas materiais) para ficar diante de D’us e servi-Lo como Seu ministro.

Assim, Corach não era corrupto em sua ideologia, mas somente em seu método de implementação. Seu desejo de ser o Sumo-Sacerdote era bem fundamentado, como Moisés confirmou “Eu também quero isso”; seu único erro foi tentar atingir este objetivo usurpando Moisés, ao invés de segui-lo.

Por isso é apropriado que nossa Parashá seja nomeada em lembrança a Corach, pois seu desejo por espiritualidade é algo com o qual temos muito a aprender.

No entanto, nós vemos que a maior parte da Parashá fala de fato dos erros de Corach, ao invés de suas boas intenções, a ponto de nós sermos advertidos “não sejam como Corach e seus companheiros” (17:5). Onde, então, se encontra a mensagem positiva no pecado e castigo de Corach?

Na verdade, entretanto, até mesmo a queda de Corach transmite uma mensagem elevada aqueles que ponderam seu significado profundamente. Pois ao colcoar-nos neste mundo com liberdade de escolha para agir sabiamente ou de maneira tola, D’us basicamente nos concedeu o maior presente possível para nos empenharmos na busca pela santidade ( e ser u Sumo-Sacerdote), utilizando nossos próprios talentos e aptidões para o bem por nossa própria conta, com nosso livre-arbitrio.

De acordo com o pensamento Chassidico, a revolta de Corach ocorreu e foi motivada pelo pecado dos espiões. A razão mais profunda que os espiões não queriam entrar na Terra de Israel foi porque eles preferiam a vida exclusivamente espiritual do deserto, a uma vida de serviço a D’us em meio a preocupações físicas, tais como a necessidade de ganhar o sustento.

A queda dos espiões, então, mandou uma mensagem muito forte de que o Judaísmo prioriza a ação física sobre as buscas espirituais e intelectuais.

Ao ouvir isso, Corach protestou junto a Moisés “ Por que vocês se fizeram elite sobre a assembleia de D’us ?” (v.3) . “Eu posso entender”, argumentou Corach, “que vocês são pessoas mais espiritualizadas e santas do que nós; mas, agora nós vimos que o judaísmo considera a ação física como prioridade, então, como vocês são melhores do que os outros? Seus atos não são os mesmos que os nossos?”

O erro de Corach foi que a Torá não exige ação inerte, mas sim, atos que brilhem com inspiração e luz espiritual. Assim, os dois erros – dos espiões e de Corach – nos ensinam que é preciso um equilíbrio saudável: o individuo não deve se afastar da vida física, como os espiões. Mas, por outro lado, a ênfase do judaísmo na ação nunca deve levar a pessoa a uma vida de rituais sem significado e falência espiritual. Cada mitsvá deve ser realizada com os níveis mais elevados de consciência espiritual.

Haftará de Corach – 1 Samuel 11:14 – 12:22