Parashá

Torah

Parashá Emor – Traduzindo: Fale - Levitico 21:1-34:35

Resumo:

Nas palavras iniciais de nossa Parashá, “ Fale ( Emor ) aos Sacerdotes”, Rashi comenta: “Fale para advertir os adultos sobre como educar as crianças.”

Em nível literal, o versículo esta falando da responsabilidade especifica dos sacerdotes adultos de ensinarem aos seus filhos sobre o dever sacerdotal de permanecerem ritualmente puros. Porém, em um sentido mais abrangente, já que esta é a abertura de uma Parashá, e como tal contém uma orientação geral para todos os judeus, nosso versículo pode ser entendido como uma advertência a todos os pais sobre a importância de educar seus filhos.

Neste caso, nós não estamos falando da necessidade básica de educação que é requerida para instruir a próxima geração, já que é um principio tão fundamental quanto este certamente já foi dado logo em seguida a outorga da Torá, e não aqui, próximo ao final do Livro de Levitico.

Assim, a abertura de nossa Parashá esta indicando uma abordagem mais avançada da educação, que se torna pertinente depois que a criança já aprendeu os princípios básicos de certo e errado.

A natureza precisa desta abordagem avançada e é realçada por outro conceito importante: A contagem do Ômer ( 23:15-16 ). Não somente esta é uma mitsvá que esta registrada em nossa Parashá, mas um preceito que na verdade nós observamos ao mesmo tempo em que lemos a Parashá, já que Emor é sempre lida no mês judaico de Iyar, quando o Ômer é contado todos os dias.

O pensamento Chassidico explica que a contagem do Ômer é, de fato, uma forma avançada de educação através da qual a pessoa progressivamente avança em direção a níveis espirituais mais altos de realização a medida em que ela refina aspectos diferentes de sua personalidade passo a passo, diariamente.

A lição aqui é: Advertir os adultos sobre educar as crianças. O termo em hebraico deriva da palavra luz. Assim Rashi nos ensina que a educação é um processo interminável que precisa crescer constantemente, dia após dia, trazendo muitas qualidades positivas para nossas crianças de forma que elas literalmente brilhem como a luz.

No final de nossa Parashám e infelizmente, por várias razões, a inspiração gerada pelos dias de Rosh Hashaná e os Dez dias de arrependimento nem sempre, nem em todos os lugares, são aproveitados da melhor maneira. Em algumas congregações, e em muitos indivíduos, a inspiração se evapora com o final dos Dias Temíveis sem nenhuma mudança discernível ou alguma melhoria na vida cotidiana pessoal de cada judeu e judia. E onde há falta de aprimoramento no nível individual, deve haver inevitavelmente a ausência de aprimoramento no nível social.

Uma das principais razões para este fracasso é que o despertar espiritual e a inspiração dos Dias Temíveis não são direcionados para a pessoa em si, mas para assuntos relativos aos outros. Não raro estes dias auspiciosos servem como ocasião para pronunciamentos gerais sobre os problemas do mundo, mensagens, que não comprometem ninguém em particular, mas todas as pessoas juntas. Esta abordagem satisfaz todo o mundo, já que aparece como uma “ justificativa” diante do fato de que Rosh Hashaná envolve toda a Criação, e o mundo esta repleto de problemas universais e vitais que requerem melhoria ou mudança.

A preocupação com problemas mundiais tão graves e as resoluções, as quais estão na maioria dos casos, além do controle daqueles que as tomam e produzem a justificativa conveniente para desviar a atenção necessária, vital e urgente da pessoa em si, da busca interior e da reavaliação da vida pessoal de cada um, e precisamente naquelas áreas onde as resoluções pessoais podem ser efetivas.

Uma indicação sobre o uso apropriado do espirito destes dias sagrados pode ser encontrado nos detalhes prescritos para a mitsvá do toque do shofar, a única mitsvá especial de Rosh Hashaná. Esta ordem não prescreve o uso de um conjunto de instrumentos, mas de um único: e este também não é um instrumento delicado, que produz composições musicais extraordinárias. A insistência é para que o shofar seja um simples chifre de um animal, e “ todos os sons são apropriados em um shofar”. Assim, o shofar enfatiza que a orientação deve ser, em primeiro lugar e mais importante, para o próprio individuo, com ênfase no dever de trazer santidade até mesmo para as áreas ais usuais e triviais da vida diária do individuo, e então na vida social do individuo como membro da comunidade, e assim sucessivamente.

Haftará de Emor – Ezequiel 44:15-31