Parashá

Torah

Parashá Acharê ( Depois ) - Levítico 16:1 – 18:30 / Lida em conjunto com a Parashá Kedoshim – Levitico 19:1- 20:27

Resumo:

Acharê quer dizer “ depois “, conforme consta no versículo inicial de nossa Parashá: “ D’us falou a Moisés depois da morte dos dois filhos de Arão – quando eles se aproximaram, diante de D’us e morreram.”

O pensamento chassídico explica que os filhos de Arão não morreram porque eles eram maus e trasngrediram a vontade de D’us. Ao contrário, eles eram indivíduos íntegros que quiseram se aproximar de D’us.

Mas este anseio tornou-se tão forte que alcançou um ponto no qual eles não mais desejavam continuar uma experiência corporal normal, situação em que a pessoa se sente distante de seu Criador, e eles simplesmente faleceram. Assim, o versículo descreve a causa de suas mortes “ Eles se aproximaram, diante de D’us, e portanto – morreram.”

A primeira vista, poderia parecer que o anseio de Nadav e Avihu de se aproximar de D’us estivesse mal direcionado, pois é claro que D’us não quer que morramos por amor a Ele.

Na verdade, porém, o desejo de Nadav e Avihu de se aproximar mais de D’us e deixar a sua existência corporal é extremamente apropriado – se de forma temporária.

A falta deles estava em sua inabilidade de redirecionar essas energias de volta a uma vida cotidiana normal, depois de um período de elevado despertar espiritual.

Em outras palavras, se não existe um momento na vida da pessoa em que ela simplesmente deseja deixar os fins de sua existência corpórea e se aproximar de seu Criador, então falta a esta pessoa certa sensibilidade espiritual. Mas, por outro lado, quando ela tem estes sentimentos, deve eventualmente compreender que D’us a colocou neste mundo com um propósito que necessita que sua alma permaneça em seu corpo. A oscilação harmoniosa destas duas emoções opostas são, assim, o sinal de uma espiritualidade saudável, tal como a batida rítmica do coração é um sinal de bem estar físico.

Assim, a intensa espiritualidade de Nadav e Avihu era, de fato, uma coisa boa da qual todos nós devemos aprender. O fato de eles terem falhado em canalizar o seu amor por D’us com “ os pés na terra “ foi realmente um erro, mas isso não significa que nós não possamos aprender de suas qualidades positivas.

E é precisamente por isto que a Parashá é chamada de Acharê ( depois ) , pois Nadav e Avihu foram os primeiros indivíduos ( registrados na Torá ) a demonstrar um intenso anseio espiritual, o qual fixou um novo precedente para todo o povo judeu acerca dos níveis de ligação emocional com D’us que podem ser alcançados. Assim, “ depois da morte dos dois filhos de Arão “ , o povo judeu entrou em uma nova era em que padrões mais altos de espiritualidade haviam sido estabelecidos.

Esta Parashá ainda trata principalmente da cerimônia do Ion Kipur. O ritual de Ion kipur comportava a purificação do Tabernáculo e de tudo o que havia nele, o altar , etc, para eliminar as impurezas que o contaminaram, pois o Templo, estando no meio da congregação, impregnava-se das impurezas de todo o povo, transmitidas por ele quando expiava, por meio das oferendas de sacrifício, as faltas cometidas, assim, esta operação era necessária. Um segundo ato fazia-se para expiar as faltas dos sacerdotes, de sua família e as da comunidade israelita. Arão transmitia os pecados e delitos da congregação ao cabrito expiatório por intermédio da Semichá ( por a mão sobre o animal ), após a qual o animal era conduzido ao deserto e jogado de sobre um monte forte e duro ( Azazel ). O ritual dos dois cabritos tem uma analogia com o da purificação do leproso, em que um passarinho era sacrificado, e o outro, concentrando o mal do leproso, era solto para que o levasse consigo.

Os nossos exegetas interpretam esta cerimonia de sortear os cabritos como indicação simbólica para os dois diferentes elementos humanos e a sua maneira distinta de encarar os problemas da vida.

Finalizamos aqui com as 5 proibições especificas para o Dia do Perdão – ( afligirão as vossas almas ) :

1- ) comer e beber;
2- Lavar-se;
3- Ungir-se com óleo ou perfumar-se;
4- Calçar sapatos de couro;
5- Manter relações conjugais.

Haftará de Acharê – Amós 9:7-15 ( rito Ashkenazi )

Parashá Kedoshim :

A qualidade singular da Parashá Kedoshim é que ela foi dita diretamente por Moisés ao povo, diferentemente das demais leis da Torá que foram ensinadas primeiramente a Arão e aos anciãos. Como Rashi escreve no começo da Parashá: “ Esta Parashá foi dita a congregação de Israel, que estava reunida porque a maioria dos ensinamentos básicos da Torá depende dela.”

A primeira coisa que foi dita ao povo judeu depois de eles serem reunidos foi: “ Vocês devem ser santos porque Eu, D’us, seu D’us, sou Santo.”

Entretanto, nós poderíamos ter pensado que, ao se dirigir ao público sobre os “ensinamentos básicos da Torá”, a primeira coisa a fazer seria advertir as pessoas sobre o cumprimento das mitsvot, e as sérias consequências decorrentes da inobservância delas. E, só então, seria apropriado enfatizar o lado positivo das mitsvot, como o grande mérito que o povo judeu tinha em receber estas leis. Moisés teria seguido assim a sucessão do versículo: “Afastem-se do mal, e façam o bem.”

Porém, na realidade, Moisés fez exatamente o oposto. Primeiro ele enfatizou os aspectos positivos de ser judeu e observar as mitsvot: “ Vocês devem ser santos porque Eu, D’us, seu D’us, sou Santo”, que significa que a santidade de um judeu esta conectada com a santidade do Próprio D’us. E, só depois desta introdução positiva, ele começou a salientar a seriedade das mitsvot, etc.

Desta forma aprendemos que sempre devemos nos aproximar de outro judeu com cordialidade, amizade e boas palavras. A experiência mostra que intimidar as pessoas com medo da retribuição Divina e profecias de destruição simplesmente não é tão efetivo quanto ter uma abordagem positiva, que atraia as pessoas para Judaísmo observante, ao invés de afasta-las.

E embora o versículo pareça sugerir que o negativo deva vir primeiro “ afastem-se do mal, e façam o bem”, não obstante, nós podemos interpretar o versículo assim: para se afastar do mal, simplesmente façam o bem e o mal cuidará de si mesmo.

Haftará de Kedoshim – Eequiel 22:1-16 – Rito Ashkenazi