Parashá

Torah

Parashá KI Tissá ( כי תשא ) – Traduzindo: Quando você elevar ( e no contexto do versículo, quando você contar ) - Êxodo 30:11-34:35

Resumo:

De todas as Parashiot da Torá, esta relata a descida espiritual mais devastadora da história judaica. Pouco antes do povo judeu receber as duas Tábuas da Lei, diretamente de D’us, através de Moisés, incitado por alguns lideres e estrangeiros, Arão, irmão de Moisés, funde um bezerro de ouro, e parte do povo o adora.

A Parashá inicia em Êxodo 30:11 , com D’us dizendo a Moisés para Contar o povo, e ainda solicitando a metade de 1 siclo em oferenda separada para D’us.

Segundo a tradição, as moedas de prata ( meio Shekel ) que cada um pagava, inclusive os sacerdotes, a fim de serem contados, serviam para os gastos da reparação do Templo , para os sacrifícios e para o perdão do povo. O prazo para o pagamento era do dia 1° ao dia 15 do mês de Adar. Este costume continuou até os nossos dias, sendo o dinheiro empregado para os que estudam a Torá e para o Estado de Israel.

E por que só meio Shekel e não um Shekel inteiro ? – Para indicar que cada judeu por si vale somente uma metade, e só quando ele se une ao seu povo e seu D’us, ele se torna um judeu inteiro, conseguindo, assim, aquela união tão necessária, tão indispensável, tão vital para nossa comunidade.

Este é o sentido profundo da bela norma do Mestre Hilel : “ Se eu não for por mim, quem será por mim ? E se eu tomar conta de mim sozinho, quem sou eu ? E se não for agora, quando será ? “ Cada ser humano é obrigado a contribuir com a sua quota para o bem-estar e progresso da coletividade, e se ele não se apoiar nos outros, não cumprirá o seu dever cívico e ético.

Na sequencia em 30:17 até 30:21 , temos instruções para construção do “ Lavatório “.

Em 30:22 instrução para a produção do “ Óleo da Unção ” .

Em 30:34 temos instruções para a produção do “ Incenso “ .

Em 31:1 a escolha de Betsalel e Aholiav.

Em 31:11 até o versículo 17, novamente D’us enfativa a Observância do Shabat “ E tu, fala aos filhos de Israel dizendo : De certo, Meus sábados guardareis, pois este é um sinal entre mim e vós, por vossas gerações ........... E guardareis o sábado ( Shabat ), que santidade é ele para vós; aqueles que o profanarem serão mortos, porque todo aquele que fizer nele trabalho, a sua alma será banida de seu povo.

Em seguida, em 31:18, até 32:14, temos o “ Pecado do Bezerro de Ouro “ , exatamente no momento em que D’us acaba de falar do Shabat, e das leis citadas na Parahá Mishpatim, D’us dá a Moisés as duas Tábuas de Testemunho ( 10 mandamentos ) , tábuas de pedra escritas com o “ dedo “ de D’us, e neste momento o povo vendo que Moisés demorava em descer do monte, e dizem não saber o que aconteceu com Moisés, ordena a Arão que seja confeccionado o Bezerro de Ouro.

Mas o que levou os filhos de Israel a praticar um ato tão ignóbil, tão desprezível ? Os exegetas nos apresentam diversas interpretações e diferentes explicações. Uns afirmam que os principais culpados deste movimento desmoralizador foram os elementos do Érev Rav, da plebe egípcia, que se misturou e se juntou aos filhos de Israel quando saíram do Egito. Para essa população vil e ignorante, a ideia monoteísta era uma concepção incompreensível, pois no Egito tinham sido doutrinados no politeísmo ; cada força da natureza representava para eles um ídolo.

Segundo os sábios do Talmud, IBN EZRA e KUZARI, os judeus não queriam adorar ídolos, D’us nos livre. Na ausência de Moisés, eles estavam buscando uma forma concreta de Serviço Divino. O bezerro era um objeto através do qual eles pretendiam servir a D’us, como Arão explicitamente disse “ Amanhã deverá ser um festival para D’us ( v.5 ) , e ainda o texto nos mostra que Arão não estava de acordo com tudo isso, mas teve medo da multidão; e ainda o texto nos mostra que ele não participou da adoração.

Já outro sábio, Daat Zekenim, nos diz que os Judeus estavam divididos em três grupos :

a-) os que estavam somente procurando um novo líder ( pois 40 dias se passara e Moisés não voltara ) ;

b-) Os que desejavam adorar ídolos ;
c-) A tribo de Levi que permaneceu totalmente fiel a D’us;

Em 32:15 até 32:19 , Moisés desce do Monte, já havia sido alertado por D’us , que o povo se desviara, e depois, ao ver parte do povo dançando e a festa e o bezerro de ouro, quebrou as duas Tábuas da Lei.

Como curiosidade, segundo o Talmud ( Baba Batra 14ª ) , as tábuas da lei mediam 6 x 6 tefachim ( 48cm x 48 cm ), portanto as tábuas eram quadradas.

No entanto, somente 3 mil homens, de todo o povo de Israel, estiveram ativamente envolvidos no pecado do Bezerro de Ouro ( ver no versículo 28 ) , o que era uma porcentagem comparativamente pequena da população judaica de alguns milhões.

Os perpetradores do Bezerro de Ouro são punidos, como vemos em 32:20, até 33:6, queimando primeiramente no fogo bezerro de ouro, , e sob ordens de Moisés 3.000 homens que estavam envolvidos diretamente no caso, caíram a espada neste dia.

Em 33:7, temos o relato da Tenda da reunião de Moisés, que era o local que ele deveria procurar e ter contato com D’us, e a mesma se posicionava fora do acampamento.

Em 34:1 até 34:4 , temos o relato das segundas Tábuas da Lei. As primeiras Tábuas, foram entregues na “ integra” por D’us a Moisés, eram a obra de D’us ( 32:16 ), mas as segundas Tábuas, D’us mandou que Moisés esculpisse as duas Tábuas de Pedra, e D’us complementou as Tábuas escrevendo nas mesmas ( 34:1 ).

Moisés ficou 40 dias e 40 noites, também para receber as segundas Tábuas da Lei, conforme vemos em 34:27, e o texto diz que ele não comeu nem bebeu água.

Como Moisés conseguiu ficar 40 dias e 40 noites, sem comer, nem beber, para isto temos que atribuir isso ao sobrenatural, mas também temos que nos lembrar que uma pessoa nunca deve desonrar um costume local, pois quando Moisés foi para as alturas, ele não comeu, nem bebeu, pois lá, não se faz isso. E da mesma forma quando os anjos de D’us estiveram com Abrãao, estes tiveram que comer e beber, segundo o costume local.

Diversas outras proibições de Idolatria e outros preceitos , são descritos em 33:17 até 33:26

A Haftará de Ki Tissá, se encontra em 1 Reis 18:1-39.

Quando a leitura de Pará coincide com a porção Ki Tissá, a Haftará é substituído pela leitura da Haftará de Pará.