Parashá

Torah

Parashá Matot – Números - 30:2 – 32:42
Parashá Massei – Números – 33:1 – 36:13

Resumo:

Por ser a última Parashá do Livro de Números ( Bamidbar ) , existe o costume de todos proclamarem “APÓS A LEITURA DA MESMA” : CHAZAC, CHAZAC VENITCHAZÊC ! ( SEJA FORTE! SEJA FORTE! E QUE NOS FORTIFIQUEMOS!

A Parashá Matot, é sempre lida durante as 3 semanas de luto pela destruição do Templo Sagrado, um evento que mergulhou o povo judeu em exílio físico e espiritual do qual ele ainda não se recuperou.

Não é surpresa, portanto, que o nome da Parashá contenha uma mensagem de inspiração que nos ajuda a superar as adversidades do exilio.

As Escrituras usam dois termos para se referir as tribos de Israel:

a-) Shevatim;

b-) Matot;

A diferença entre eles é que “Matot” são ramos que se separam da árvore, e endurecem, formando uma vara ou bastão.

“Shevatim”, por outro lado, se refere a ramos que ainda permanecem presos ao seu tronco, e são, portanto, macios e flexíveis.

O “ramo” e o “bastão” aludem ao desenvolvimento da alma, conforme ela passa de um ambiente celestial para um cenário terreno. No céu, a alma esta completamente “ligada” a D’us, como o ramo que permanece ligado ao seu tronco.

Mas, antes de embarcar em sua missão, a alma é “imatura”. Ela não enfrentou ainda um obstáculo em seu relacionamento com D’us e, consequentemente, nunca desfrutou do “vinculo” adicional que um relacionamento ganha quando da superação dos obstáculos. Da mesma forma, as “reservas ocultas” de poderes que são dados á alma para superar situações de adversidades residem dormentes e encobertas.

Entretanto, quando a alma é colocada em seu cenário terreno, em um corpo físico na época do exilio, tudo isso logo muda. Como um ramo que é separado de seu tronco, a alma perde seu envolvimento emocional fácil com o Criador, encontrando-se em um mundo antagônico a santidade e a verdade. Mas nos foi prometido que, com o necessário esforço, o “ramo” tenro logo endurecerá, tornando-se um “bastão” firme e rígido, irredutível em sua dedicação a D’us. A Parashá Matot, assim, nos ensina que D’us nos deu a habilidade de viver de acordo com as leis da Torá em todas as circunstâncias. É somente uma questão de vontade e determinação por parte do judeu, visto que, potencialmente, todos nós temos a plena capacidade de viver de acordo com a vontade e os mandamentos de D’us, o Criador e Mestre do mundo.

Segue abaixo algumas explicações adicionais sobre alguns temas que julgamos ser relevantes.

Quanto a anulação de votos citadas em 30:2 até 30:17, ironicamente, a Torá atribui mais poder de anulação a um homem que esta meramente noivo, pois pela lei judaica, uma vez que uma mulher esta noiva, ela é considerada uma mulher casada, e se seu marido deseja abandoná-la, ela precisa de um divórcio. Entretanto, isto não permite ao casal viver junto como marido e mulher até o procedimento de nissuín (casamento completo) ser realizado. Na época Talmúdica havia um intervalo, normalmente de 1 ano, entre estes dois procedimentos. Atualmente, ambos os procedimentos são realizados consecutivamente, sob o pálio nupcial.

Desta forma um homem noivo de uma mulher, tem mais poder de anulação de voto, a um homem que esta totalmente casado. Pois um homem que esta noivo com uma mulher pode anular os votos dela feitos antes do noivado (v. 7-9), enquanto um homem plenamente casado somente é capaz de anular os votos feitos “na casa de seu marido” (v. 11), e não antes disso. A razão para esta peculiaridade é porque um homem anula os votos anteriores de sua noiva juntamente com o pai dela, em cuja casa ela fez os votos.

Aquele que esta noivo de uma mulher representa uma pessoa cujo serviço a D’us ainda esta incompleto. No entanto, a pessoa que esta noiva tem uma vantagem: ela ainda conta o “o pai” de sua noiva. Entretanto, quando a pessoa atinge a maturidade espiritual, aludida pelo casamento completo, isto pode, ironicamente, dar-lhe um falto senso de independência.

Ainda sob o mesmo tema, o começo da porção Matot, trata dos votos, promessas e juramentos que a pessoa faz. O Néder ( voto ) é uma solene promessa que a pessoa faz em momentos de angústia, para D’us ajuda-lo a conseguir seu desejo, ou em momentos de alegria como expressão de gratidão pelo favor que D’us lhe concedeu, enquanto Issar ( abstinência ) é um voto negativo, ou seja, uma proibição que a pessoa se impõe a si mesma para não fazer ou desfrutar de alguma coisa que é lícita.

Conforme o Midrash, somente o fato de jurar ou prometer algo é, em sí, um pecado. Isto se entende das palavras do Deuteronômio (23:23): “ Porém, se te abstiveres de fazer voto, não haverá pecado em ti” , sugere que se não te abstiveres e fizeres voto, haverá em ti pecado. Toda promessa significa uma confiança ILIMITADA no poder de si próprio, e o homem deve ter consciência que seu futuro é incerto e esta na mão de D’us.

Sobre “Raiva e Esquecimento” – O Aziral, considera a raiva um pecado mais grave que muitos outros pecados. Pois quando uma pessoa comete qualquer outra transgressão que não seja irar-se, sua alma ainda permanece em seu corpo. Mas quando esta irada, a alma da pessoa parte de seu corpo e é substituída por uma “alma externa”. Isto explica por que o individuo tende a esquecer seus estudos da Torá quando se enfurece, devido a partida da alma. ( fonte : Likutei Torá, Pinchás 80d).

Segue abaixo um índice dos principais assuntos da Parashá para consulta;

• Em 30:2 até 30:17 – As Leis dos votos pessoais;
• Em 31:1 até 31:18 – A guerra contra Midian;
• Em 31:19 até 31:24 – Purificação, Purgação e Imersão após a guerra;
• Em 31:25 até 31:47 – A divisão dos espólios de guerra;
• Em 31:48 até 31:54 – A oferenda dos oficiais;
• Em 32:1 até 32:42 – O pedido dos descentes de Reuven e Gad – Final da Parashá;

A HAFTARÁ DE MATOT ESTÁ EM : JEREMIAS 1:1 ATÉ 2:3

Parashá Massei – Traduzindo: Viagens – Números - 33:1 – 36:12

No ano de 5777 ( 2017 ) – Lida em 22/07/2017

Resumo :

A Parashá nos ensina uma mensagem inspiradora sobre a necessidade de nos “remotivarmos” de forma a crescer constantemente. A palavra Massei significa “viagens”, como no versículo de abertura de nossa Parashá, “Estas são as viagens dos filhos de Israel pelas quais eles deixaram a terra do Egito”. Entretanto para sermos precisos, somente a primeira das 42 viagens listadas aqui foi de fato uma viagem para fora da fronteira geográfica do Egito; as demais foram perambulações pelo deserto.

Viver neste mundo que oculta a presença de D’us enquanto lutamos constantemente para permanecer fiel a Sua Vontade é um desafio considerável. As significativas viagens do povo judeu, com todos os altos e baixos que eles enfrentaram, aludem as jornadas espirituais da vida, “desde o dia em que a pessoa nasce até o dia em que ela passa para o mundo seguinte.” ( Baal Shem Tov)

Além das viagens, temos menção as Cidades Refúgio que são citadas em 35:9, e é novamente lembrada a morte de Arão, com 123 anos, no monte Hor ( 33:38-40 ).

A HAFTARÁ DE MASSEI ESTA EM : JEREMIAS 2:4-28, 3:4, 4:1-2.