Parashá

Torah

Parashá Tazria / Metsorá– Traduzindo: Conceber; dar a luz - Levítico – 12:1- 13:59 - Levítico – 14:1- 15:33

Resumo:

Nossa Parashá começa, “ se uma mulher concebe ( Tazria ) e dá a luz .... “ Depois de discutir as leis associadas ao parto, a Parashá trata da “doença” sobrenatural chamada tsaraat que afligia a pele e as posses daqueles que falavam lashron hará (maledicência).v Como a maior parte da Parashá trata das leis de tsaraat, nós precisamos explicar a conexão entre esta aflição e o nome da Parashá – Tazria – que se refere a concepção e ao nascimento.

A primeira vista, estes temas parecem contraditórios: tsaraat é uma condição desagradável que requer total isolamento do acampamento judeu, tal como declara o Talmud: “ o sofredor de tsaraat é comparável a uma pessoa morta” ( Nedarim 64b). Como, então, isto pode estar conectado a Tazria- concepção e nascimento?

Um principio fundamental da Filosofia Judaica afirma que os castigos administrados pela Torá não pretendem prejudicar a pessoa em retorno pelo dano que ela causou, mas sim, que o castigo é principalmente para o beneficio do próprio transgressor ( ver Kuzari 2:44, Ikarim 4:38 ). Isto porque o sofrimento causado por um castigo limpa a alma, permitindo que ela se aproxime novamente de D’us, seja neste mundo ou no próximo.

Na maioria dos casos, a bondade existente dentro de um castigo não é aparente a um espectador, ou para a própria pessoa que recebeu o castigo. Com o sofrimento de Tsaraat, no entanto, fica claro que o castigo é de fato para seu próprio beneficio, pois tendo sido declarado ritualmente impuro, a precisa ficar em isolamento total, e assim ela logo aprende a não falar mais maledicência – simplesmente porque não há ninguém para falar com ela.

Assim, do caso do sofredor de Tsaraat nós entendemos que também em todos os outros casos, até mesmo onde isto é menos aparente, os “ castigos “ da Torá tem por beneficio ajudar o transgressor a corrigir seu comportamento e começar uma nova vida livre de suas faltas anteriores.

E é por isso que nossa Parashá é chamada de Tazria, em referência a concepção e ao nascimento, para nos ensinar que assim como no caso de tsaraat, todas as punições da Torá pretendem ajudar a pessoa ter um renascimento espiritual em sua vida, corrigindo seus erros do passado e começando uma nova existência.

Parashá Metsorá

A Parashá anterior, Tazria, descreve o aparecimento e identificação da “ doença “ sobrenatural de tsaraat. Nossa Parashá, por sua vez, detalha o processo pelo qual aquele que sofre de tsaraat se liberta da aflição, tornando-se ritualmente puro.

Assim é um tanto surpreendente que a nossa Parashá seja chamada de Metsorá – que significa “ aquele que é afligido por tsaraat – já que nossa Parashá não trata da aflição nesta condição, mas sim de sua cura espiritual.

Se algo de ruim acontece, pode ser por uma das duas razões. Ou :

a-) é uma expressão das forças do mal;

b-) é de fato a expressão de uma forma muito intensa de bem, mas o bem era tão intenso que o mundo foi incapaz de lidar com ele; assim o bem se “ desencaminhou “ para as forças do mal.

O método para corrigir o problema diferirá em ambos os casos:

a-) o mal evidente precisa ser simplesmente erradicado. O problema e a solução são assim diametralmente opostos: o problema é o mal, e a solução é o bem.

b-) porém, se a ocorrência ruim é na realidade uma forma “ desencaminhada “ de bem intenso, então a cura não é por erradicação, pois existe um tremendo poder de bem aqui. Assim, a solução esta em revelar a verdadeira natureza e fonte do problema, como debaixo da superfície há algo realmente muito bom.

O pensamento chassídico explica que a tsaraat se encaixa nesta última categoria e que, na verdade, a aflição carrega uma energia espiritual extremamente positiva. Assim a sua cura, descrita em nossa Parashá, não é de fato, uma erradicação da tsaraat, mas sim, uma revelação do bem, da natureza interior da aflição. Por conseguinte, a nossa Parashá, que descreve a cura para a “doença”, é chamada pelo mesmo nome da doença, Metsorá, para indicar que a “ cura “ para este problema esta em revelar a verdadeira natureza interior da própria aflição.

Haftará de Metsorá – 2 Reis 7:3-20