Parashá

Torah

Parashá Mishpatim ( Leis – Lei Civil e Penal ) - Êxodo 21:1 – 24:18

Resumo:

YNo começo da Parashá, esta escrito “ E estas são as leis .... ” A Parashá contempla leis civis e penais que são “ auto-compreendidas ”, na sua grande maioria, e a natureza racional das leis, é o resultado da vontade de D’us, estando investida em Sua Torá.

A Parashá inicia com regras para um escravo hebreu, curioso que o tenha começado assim, no entanto, se pensarmos que o povo hebreu ficou por muitos anos escravo no Egito, faz sentido que D’us queira deixar regras explicitas para que os hebreus saibam exatamente o que fazer quando for adquirido um escravo hebreu, respeitando e sendo justo para com o mesmo.

Segundo o capitulo 22:2, um judeu só é vendido como escravo quando ele for condenado por roubo e não pode pagar a compensação.

A lei decreta ainda que uma menina hebreia pode ser vendida ( por seu pai, muito pobre ) só se o comprador tem um filho elegível para a menina ( Rambam, Leis dos escravos, 4:11 ), e a meta da servidão feminina é o matrimônio, e em última instância se isto não acontecer, então ela será liberada sem obrigação ou pagamento, assim que mostrar sinais de puberdade.

Para explicar porque o furo na orelha do escravo, segundo Raban Yochanan bem Zakai : a orelha que ouviu no Monte Sinai : “ não roube” , e então foi e roubou, deve ser perfurada.

Temos leis pertinentes a Agressão e Sequestro em 21:12 até 21:26, e curiosamente no texto desta lei, temos a lei de quem amaldiçoar seu pai ou sua mãe será morto, de forma que este último, dá um ar de grande gravidade para este tipo de transgressão.

Sobre a Lei sobre negligência e roubo, que inicia em 21:28 e termina em 22:5, é de se ressaltar a relevância do texto, evidenciando que se o dono do animal souber que o boi tem o hábito de chifrar e não o guarda, e um hebreu é morto, além do boi ser apedrejado até a morte, seu dono também é culpado de morte e punido de morte, e no caso do hebreu, só escapa da sentença com um pagamento de indenização. No entanto, curiosamente, se o boi chifra um escravo não-judeu, o dono deve pagar uma penalidade de trinta shekels, portanto é um decreto da Torá que esta acima da lógica ( este último ).

Outro ponto a se ressaltar dos versículos acima, é que se um assaltante é morto no ato do roubo, dentro da casa da vitima, a vitima só ficará inocente se o roubo se der a noite, quando há real perigo de morte que aumentam os fatores que deixam um clima de maior perigo, no entanto se o roubo é cometido em plena luz do dia, deduz-se que o assaltante não planejava matar a vítima ( 22:1 ).

Na Sequência temos as leis dos “ Quatro Guardiões ” – 22:6 até 22:13

Segundo o Talmud ( Baba Kama 93a) , há quatro guardiões : o guardião não remunerado ( v. 6-8), o que pega emprestado ( v.13-14), o guardião remunerado ( v. 9-10), e o locatário ( v. 14 ). O guardião não remunerado jura em qualquer caso de perda ( e é perdoado) ; o que pega emprestado paga por tudo; e o guardião remunerado e o locatário juram em caso de quebra, assalto, e morte, e pagam por perda e roubo.

Depois temos as leis de : Comportamento Ilícitos e Idolatria ; 22:15 até 22:19, auto explicativos.

Seguimos com leis de Ajuda aos Desafortunados e Aceitação da Autoridade ( 22:20 até 22:27 ) ; Vemos a importância de emprestar dinheiro aos que precisam, sem cobrar juros, que segundo Rashi, a etimologia da palavra Néshech, como oriunda da palavra Linshoch, que quer dizer morder, comparando os juros a mordida de uma cobra. No principio, de tão pequeno passa quase despercebido, até que o veneno se espalha pelo corpo e é praticamente impossível contê-lo. Da mesma forma, os juros : insignificante e suportáveis no inicio, mas acabam por corroer todo o patrimônio do devedor. E por fim e não menos importante, não devemos perverter o direito da Viúva e do órfão, que são especialmente protegidos por D’us.

Seguimos com as Leis relativas a julgamentos e evitar preconceito ( 23:1 até 23:9 ) , aqui vale a pena destacar a maledicência – ou seja fofoca, proibindo a pessoa de dar ouvidos a mesma. A má língua ( Lashon Hará ) , fere simultaneamente três pessoas : aquela sobre a qual se está falando, quem fala e quem ouve.

Na sequência temos o Shabat e o Yom Tov ( 23:10 até 23:19 ), onde destaco aqui a proibição de cozinhar carne e leite. Ramban, destaca que a razão desta proibição, se deve ao fato de ser um ato de insensibilidade moral, de comer um cabrito que foi cozido no leite de sua mãe. E de acordo com a Cabalá, leite e carne não podem ser misturados, pois esta mistura causaria a interação negativa de forças espirituais opostas. Carne é uma manifestação física do poder Divino de Guevurá ( Severidade ), como sugere a cor vermelha da carne. Leite tem suas raízes espirituais no poder Divino de Chessed ( Bondade ), fato indicado por sua cor branca. Já que estes poderes têm efeitos opostos, eles não devem ser misturados. Por fim, este preceito esta incluído nas leis chamadas Chukim que definem os preceitos cujas razões não foram reveladas em todo ou em parte nos textos da Torá.

Seguimos com as leiis de Dispersão dos inimigos e conquista da Terra ( 23:20 até 23:32 ) .

Depois os Judeus fazem uma aliança com D’us ( 24:1 até 24:11 ) .

E finalizando a Parashá, Moshé sobe no Monte por quarenta dias ( 24:12 até 24:18 ) – E disse o Eterno a Moisés : “ sobe a Mim, ao monte, e fica ali ; e dar-te-ei as tábuas de pedra, a lei e o mandamentos que escrevi para os ensinar ( 24:12 ) ................ E entrou Moisés pelo meio da nuvem e subiu ao monte, e esteve Moisés no monte quarenta dias e quarenta noites. ( 24:18).

Leitura da Haftará de Mishpatim – Jeremias 34:8-22 , 33:25-26 .