Parashá

Torah

Parashá Nassô ( Levante ) - Números 4:21 – 7:89

Resumo:

A Parashá Nassô, que significa literalmente “Levante”, é sempre lida no Shabat adjacente a Shavuot ( ou antes ou depois ), indicando que o tema predominante de Nassô esta fortemente ligado com a outorga da Torá, celebrada em Shavuot.

Segundo nossos sábios, a entrega da Torá se deu no ano de 2.448, apesar de ser estuda muito antes desta “outorga”, e que ainda nossos Patriarcas eram fluentes na Torá, e mesmo antes disso, Shem, o filho de Noé, dirigiu uma academia de Torá (Yeshivá).

O Midrash relata, que até a outorga da Torá, D’us havia decretado que a espiritualidade (os mundos “superiores” ) e a materialidade (os mundos “inferiores” não poderiam ter uma união duradoura, e quando a Torá foi dada, “o decreto foi anulado” (Tanchuma, Nassô 16).

Disso aprendemos que não foi intencionado que a Torá ficasse no domínio acadêmico, ou mesmo espiritual. A Torá deve nos afetar profundamente, até que nossas atividades ordinárias do dia a dia se tornem elevadas como resultado de sua exposição a Torá, cumprindo o mandamento Divino de que os “mundos superiores” e os “mundos inferiores” devem estar em harmonia um com o outro.

A Parashá inicia-se com os deveres dos descentes de Guershon (4:21 até 4:28). v Kehat e Guershon – Para servir a D’us, temos que tanto que nos desviar do mal, quanto fazer o bem. Mas qual destes passos é o mais importante? E qual dever ser prioritário?

A sequência dos descendentes de Kehat e Guershon na Torá nos dá a resposta para essas perguntas.

Guershon é ligado a palavra Hebraica Guerushin, que significa “divórcio”, aludindo ao processo de se afastar e se “divorciar” do mal. Kehat significa “juntar” (como em “Ele juntará (yikhat) o povo” Genesis 49:10 ) , referindo-se ao acúmulo de boas ações – “fazer o bem” .

Guershon era o primogênito, o que indica que no inicio, quando alguém está logo no começo de seu serviço a D’us, ele deve começar enfatizando o caminho de se afastar do mal. Isso é para ele se limpar totalmente das qualidades negativas antes de poder começar a se santificar com as boas ações.

Porém, na Torá, os descendentes de kehat são colocados antes dos descentes de Guershon para indicar que, no final, “fazer o bem” é o objetivo principal que realmente traz a pessoa mais próxima de D’us e faz desse mundo um lar.

Na sequencia temos em 4:29 até 4:33 os deveres dos descendentes de Merari.

Depois em 4:34 até 4:49, temos a apuração dos levitas aptos para servir no Tabernáculo.

A tribo de Levi que tinha a seu cargo o serviço do Tabernáculo, era dividida também em quatro partes ao redor da tenda sagrada. No ocidente, achavam-se os filhos Guershon, que tinham ao seu cargo a tenda, a sua coberta, o véu, etc. Ao sul, os filhos de Kehat, cuja missão era transportar a Arca de D’us. Ao norte, os filhos de Merari, que tinham a seu cargo as madeiras, as tábuas do Tabernáculo, as suas travessas, colunas, etc., e no lado oriental estavam Moisés, Arão e seus filhos, como guias espirituais do povo.

Em 5:1 até 5:4, temos a Santidade do acampamento. Os ensinamentos Chassídicos explicam que os judeus passaram esses quarenta anos no deserto para que a grande santidade do Tabernáculo estivesse presente lá, dissipando as forças do mal que estão tão enraizadas no deserto (razão pela qual o deserto é inabitável). Por isso os levitas, que eram responsáveis pelo Tabernáculo, foram contados; pois ao serem contados lhes foi conferido a importância e, de modo espiritual, essa foi uma forma de fortificar os levitas em sua “batalha” contra as forças do mal.

Depois temos em 5:9 até 5:10 as leis adicionais de presentes para os sacerdotes.

Em em 5:11 até 5:31 temos a “ Esposa suspeita de adultério ( Sotá ) , que era submetida a um “ritual” humilhante, quando denunciada por seu marido. No entanto, segundo nossos sábios, havia uma premissa básica para que o marido pudesse submeter sua esposa a esta prova perante o sacerdote, ele mesmo deveria ser um homem de moral e conduta sexual ilibadas; caso contrário, tudo o que foi aqui estipulado pela Torá, não teria qualquer vigência. De acordo com o Talmud (Sotá 47b), foi Raban Iochanán bem Zacai, líder espiritual do povo judeu logo após a destruição do Segundo Templo de Jerusalém, quem aboliu a prova das águas amargas devido a degeneração dos costumes em sua época.

Depois em 6:1 até 6:21 , temos as instruções para o Nazir.

Em 6:22 até 6:26, temos a famosa e importante “Benção Sacerdotal” ;

“ Que D’us te abençoe e te guarde. Que D’us faça resplandecer o seu rosto sobre ti e te agracie. Que D’us tenha misericórdia de ti e ponha em ti a paz.”

Depois temos em 7:1 até 7:88 , temos as doações dos lideres tribais para o Tabernáculo.

E finalmente, terminamos em 7:89 , mostrando e evidenciando a comunicação divina entre

Moisés e D’us. A Haftará de Nassó é : Juízes 13:2-25