Parashá

Torah

Parashá Shelach – Traduzindo: Envie – Números - 13:1 – 15:41

Resumo:

A Parashá Shelach se divide, de um modo geral, em duas seções. A primeira, que contém os capítulos 13 e 14, é uma narrativa detalhada sobre o pecado dos espiões.

Na seção seguinte, capitulo 15, o assunto muda completamente, com a Torá relatando diversas mitsvot – as oferendas de oblação e libação, chalá, sacrifícios de expiação, Shabat e tsitsit.

No entanto, a Parashá inteira é conhecida simplesmente como “Shelach” , que significa “envie”, em referencia ao envio dos espiões.

Isto suscita a questão: o envio dos espiões, é, a primeira vista, história, enquanto as mitsvot no final da Parashá são eternamente relevantes. Então por que a Parashá é nomeada de acordo com o pecado dos espiões, que aconteceu no passado, em vez das mitsvot, que são eternamente relevantes?

É claro que a resposta simples a esta questão é que a Parashá recebeu este nome da passagem que constitui sua abertura.

O pecado dos espiões não foi, como pode parecer a primeira vista, seu relato de que a Terra de Israel abrigava um inimigo descomunal – “o povo que vive na Terra é (extraordinariamente) forte. As cidades são imensas e bem fortificadas” (13:28). Pois eles foram enviados por Moisés para coletar informações, e o que eles relataram era verdade. Porém, o pecado dos espiões foi a conclusão que eles acrescentaram, de que o comando de D’us para conquistar a Terra era, em sua opinião impossível: “Nós não temos condição de ir contra este povo, pois ele é mais forte do que nós.” (v. 31).

É óbvio que a promessa de D’us de entrar na Terra iria se concretizar, independente se o povo judeu obteria uma vitória natural ou sobrenatural. O comando “não confie em um milagre” ( Pessachim 64b) significa que o povo judeu precisava elaborar planos táticos e logísticos para a guerra, no caso de D’us querer mandar a vitória revestida em meios naturais. E por isso eles enviaram os espiões – para reunir informações.

O erro dos espiões foi que a concretização do comando de D’us não depende de encontrar uma solução prática. Nós não devemos nos “fiar em um milagre” para nos isentar de se esforçar em encontrar meios naturais através dos quais D’us pode mandar a salvação. Mas se tais meios não podem ser encontrados, nós, então, devemos realmente confiar em um milagre, porque a alternativa é que a ordem de D’us não será cumprida, e isto é inaceitável.

Esta é uma premissão fundamental na qual devemos basear nossa abordagem acerca da observância de todas as mitsvot: que o comando de D’us a uma pessoa logicamente inclui a promessa de que será possível a pessoa realizar este comando. Assim, a Parashá inteira ( incluindo suas mitsvot eternas) é nomeada segundo o incidente dos espiões para nos lembrar que D’us nos dá a habilidade de realizar todas as mitsvot – algo que devemos ter em mente constantemente.

A Haftará de Sehlach é : Josué 2:1-24