Parashá

Torah

Parashá Vaiechi ( que significa “ele viveu” ) – Gênesis - 47:28 – 50:26

Resumo:

Onome desta Parashá, Vaiechi, significa “ele viveu”, referindo-se ao fato de que Jacob viveu seus últimos anos no Egito. Como sabemos que o nome expressão conteúdo da Parashá inteira, imaginaríamos que, por intitular-se “ele viveu”, Vaiechi consistiria em um relato dos principais acontecimentos da vida de Jacob. Na realidade, porém, trata-se ai do extremo oposto: os eventos que conduzem a morte de Jacob e que se seguem a ela. Nesta Parashá, Jacob concede suas bênçãos derradeiras aos filhos e netos, exala o ultimo suspiro e é sepultado por seus filhos na Gruta de Machpelá : depois de tudo isso, vem a descrição da morte de José, seu filho favorito e sucessor nomeado. Vaiechi, portanto, lembra a Parashá Chaiei Sara, denominada “a vida de Sara”, embora se concentre nos eventos que sucederam á sua morte.

Conforme explicamos a respeito de Sara, só alcançamos a verdadeira vida quando nossos ideais permanecem vivos naqueles que provêm de nós. Paradoxalmente, então, durante nossa vida física, não é nada claro se estamos genuinamente “vivos”; o teste da efetividade da vida só se dá após a morte. Se nossos descendentes se mantiverem fieis aos ideais que lhes transmitimos, torna-se retroativamente claro que também estivemos “vivos” ao longo de nossa vida. Senão, conclui-se que, mesmo em vida, estávamos essencialmente “mortos”.

Essa visão ajuda a elucidar por que aqui, na Parashá Vaiechi, a menção da idade de Jacob ao falecer é precedida pela frase “Jacob viveu 17 anos na terra do Egito”. Na Parashá Chaiei Sara, não há tal introdução, simplesmente somos informados da idade que Sara tinha quando morreu. O fato de Jacob ter vivido 17 anos na terra do Egito antes de falecer, anos que, como nos é dito, foram os melhores de sua vida, repletos de satisfação legitima de ver os filhos e netos leais aos seus ideais, prova que ele estava verdadeiramente “vivo” durante sua vida. Seu êxito em preservar a própria espiritualidade no ambiente degenerado e idólatra do Egito, bem como em educar seus filhos e netos para fazerem o mesmo, demonstra que ele realmente estava “vivo” em seu tempo de vida.

Com efeito, Jacob substituiu de forma tão tangível na vida de seus descendentes que a Torá nem sequer emprega o termo “morrer” ao narrar sua morte, diz apenas que ele parou de respirar, e o Talmud, consequentemente, afirma que, em essência, Jacob não morreu ( Taanit 5b).

Além disso, como veremos, a morte de Jacob assinalou o inicio da descida que terminaria com a escravização física de todos os seus descendentes. O fato de o povo judeu ter-se conservado fiel a herança de Jacob mesmo em circunstâncias tão adversas é prova adicional de que sua morte indicou, do modo mas categórico, que ele não só estava “vivo” durante a sua vida, mas assim continuou também depois dela.

Conforme observamos, desde a juventude, Jacob era um consumado erudito da Torá. Ele absorveu, junto com os conhecimentos nela contidos, o atributo de transcendência da Tora, sua essência Divina imutável que a faz intrinsecamente, universalmente e eternamente relevante para todas as facetas da existência. Foi isso que o habilitou a suportar as vicissitudes da vida, criar todos os seus filhos de maneira que se tornassem íntegros, apesar de suas personalidades diversas, e assegurar que os anos passados no Egito fossem os seus melhores. A Torá, sendo a corporificação da vontade e sabedoria de D’us, é verdade: o estudo da Torá é, assim, a busca da verdade: logo, por extensão, dedicar-se a Torá significa devotar-se resolutamente a verdade. A Torá foi a chave de Jacob para a vida eterna, pois a verdade, por definição, é eterna.

Nesse sentido, a lição da Parashá Vaiechi é que nós também podemos resistir as tribulações remanescentes do exilio, educar nossos filhos para serem leais a sua herança e desfrutar todas as benções de abundancia espiritual e física, experimentando a essência da doçura do futuro messiânico, mesmo estando ainda no exilio, por meio do estudo da Torá e da pratica de seus mandamentos.

É apropriado, portanto, que o primeiro livro da Torá se encerre com a mensagem de Vaiechi “ ele viveu”. Ao cair da cortina sobre o fundamento assentado pelos patriarcas, quando nos preparamos para testemunhar a transformação de sua descendência em um povo maduro, que assumirá o papel de “ um reino de nobres e uma nação santa”, a Parashá Vaiechi nos faz recordar que o Gênesis não é simplesmente literatura, um tributo sentimental ou ardoroso aos ancestrais de nossa nação que, por mais admiráveis que tenham sido, não estão mais aqui, morreram e, consequentemente, teriam perdido a relevância. Não, eles estão vivos, genuinamente vivos, e só podemos também viver verdadeiramente se nos identificarmos com suas aspirações, internalizarmos sua herança e permanecermos leais a ela. Enquanto estivermos no exilio, os atrativos fascinantes da pseudovida a nossa volta (e dentro de nós) continuarão a acenar para nós. Mas a Torá é “uma Torá de vida”, que nos desafia eternamente a ficar acima dessas tentações, “escolher a vida”, cumprindo os mandamentos de D’us, e assim transformar nossa existência e o mundo que nos cerca em uma morada para D’us, a verdadeira “fonte da vida”.

Última Parashá de Bereshit - pela tradição dizemos " Força ! Força ! Que nos fortaleçamos uns aos outros ! "

A HAFTARÁ DE VAIECHI ESTA EM : 1° REIS 2:1-12