Parashá

Torah

Parashá Vaietzê ( que significa “ele saiu” ) – Gênesis - 28:10 – 32:3

Resumo:

AParashá Vaietzê é a primeira das seis parashiot finais do Gênesis, que são todas dedicadas primeiramente a vida de Jacob. Como veremos, Jacob foi o primeiro e único patriarca que conseguiu criar todos os filhos para serem completamente comprometidos com a vontade e a missão de D’us; por esta razão, ele mereceu a distinção de ser o pai epônimo do povo judeu. Ao longo da Torá, o povo judeu é chamado, quase que exclusivamente, de Bnei Israel, isto é, “ israelitas” ( ou, literalmente, “descendentes de Israel” ), sendo “ Israel o outro nome de Jacob.

Portanto, Jacob é o último dos patriarcas. Só Abraão, Isaac e Jacob são considerados progenitores do povo judeu inteiro; só eles personificam os elementos do modo de viver Divino que todos nós devemos imitar. Em contraposição, cada um dos filhos de Jacob transmitiu seu estilo singular, individual, de disseminação da consciência Divina apenas a sua respectiva tribo.

Jacob foi capaz de garantir que todos os seus filhos se mantivessem fieis a seu legado porque ele era a síntese do melhor de Abraão e Isaac. Como mencionamos em parashiot anteriores, Abraão corporificava a bondade ( chessed ); ele expunha seus discípulos a conceitos e experiências Divinos, estivessem eles aptos ou não para recebe-los; mas, assim fazendo, não ensinava a absorver esse Divindade. Isaac, por sua vez, representava a restrição ( guevurá ); ele elevava seus discípulos de modo que pudessem absorver a Divindade, porém, agindo de tal forma, tinha de abster-se de deixa-los conhecer níveis de consciência Divina que não tivessem capacidade de atingir por si próprios. Jacob era a personificação da conciliação e harmonia (tiferet); como tal, ele podia combinar as duas abordagens diametralmente opostas, por um lado trazendo os níveis mais altos de consciência Divina as pessoas, até as do grau espiritual mais baixo, e, pelo outro, assegurando também que elas o absorvessem.

Jacob tinha a habilidade de conciliar as abordagens mutuamente exclusivas do pai e do avô porque se relacionava com D’us de maneira mais transcendente do que eles. O relacionamento de Abraão com D’us fundamentava-se na logica; ele tornou-se consciente de D’us por meio da lógica e convencia os outros da existência de D’us pela lógica. Isaac, igualmente, baseava sua relação com D’us na lógica: ele compreendeu que a realidade só poderia absorver relação Divina se estivesse preparada para isso, e apoiou seu trabalho nessa premissa. Jacob, em contraposição, relacionou-se com D’us, desde o principio, de um modo menos calculado, mais ingênuo, ignorando os limites da racionalidade.

Seu compromisso com D’us, portanto, era incondicional e irredutível, mesmo quando contrariava a logica. Porque ele próprio se relacionava assim com D’us, conseguia inspirar os outros a relacionar-se com Ele da mesma maneira. Consequentemente, Jacob foi capaz de criar todos os seus filhos para serem devotados a D’us, apesar das diferenças de personalidade, e de conduzir seus discípulos a níveis de consciência Divina que estavam além do entendimento deles, enquanto simultaneamente os ensina a integrar esses níveis do entendimento deles, enquanto simultaneamente os ensina a integrar esses níveis elevados a própria vida. Jacob, portanto, não é apenas o último dos três patriarcas; é o patriarca por excelência. A vida dele, mais que a de Abraão ou Isaac, constitui o modelo pelo qual todos nós devemos moldar a nossa.

Em nenhum outro lugar fica mais evidente que Jacob sintetizava as abordagens do pai e do avô do que no primeiro trecho da crônica de sua vida na Torá, a Parashá Vaietzê. Aqui, Jacob se casa, tem filhos e acumula sua fortuna, sempre seguindo fielmente as instruções de Isaac. Mas ele persegue todos esses objetivos de um jeito que parece contrário a maneira pela qual seu pai o fizera; Embora não tivesse autorizado Isaac a deixar a Terra Santa, D’us permite que Jacob saia livremente: embora Isaac tivesse se casado com uma só mulher, Jacob casa-se com duas (além de suas servas); embora Isaac se esquivasse das provocações de seus detratores, Jacob os confronta diretamente. Em todas essas situações, Jacob emula a Abraão mais do que a Isaac.

E, assim como Abraão não se aborrecia nem um pouco com o fato de seu filho Isaac ser praticamente a sua antítese, Isaac também não se aborrece nem um pouco com o fato de seu filho Jacob se quase o seu oposto; na realidade, é ele que envia Jacob do casulo protetor de sua casa para o ambiente idólatra de Padan Aram e as garras de Labão, o impostor. Mais uma vez, notamos o reconhecimento tácito de Isaac de que, para seguir verdadeiramente os passos do pai, o filho deve tomar seu próprio rumo e criar seu próprio caminho. Nesse caso, Isaac compreendeu perfeitamente que, por causa do compromisso transcendente de Jacob com D’us, não era só apropriado, mas também imperativo, que ele enfrentasse o desafio de aventurar-se, partindo para levar a mensagem de D’us ao público mais amplo possível.

Essa é a ideia implícita no nome desta Parashá, Vaietzê, que significa “ ele saiu “. Para iniciar seu próprio capitulo na saga do Gênesis, Jacob teve que “sair”, abandonar o conforto material e espiritual do lar ( além do caminho fácil de simplesmente imitar o pai) e encarar os desafios de um mundo hostil. Só assim, pondo a prova o seu comprometimento e despertando sua coragem latente, ele poderia amadurecer e tornar-se o pai capaz de educar a família escolhida, bem como o patriarca capaz de colocar o povo escolhido no rumo que deveria trilhar ao longo da história.

O que sucedeu a Jacob é valida para cada um de nós. Depois que absorvemos a herança cultural de nosso passado, devemos aceitar o desafio da maturidade, partindo para seguir nosso destino e fazendo nossa contribuição singular para levar o mundo a realização completa do plano de D’us. Só desse modo podemos despertar nossa coragem latente e utilizar ao máximo os talentos e potencialidades que nos foram dados por D’us. E só assim podemos assegurar a manifestação mais plena do poder que D’us nos concedeu de santificar todas as facetas da realidade mundana, possibilitando que todo recanto da vida se torne Seu verdadeiro lar.

A HAFTARÁ DE VAIETZÊ ESTA EM : OSEIAS 11:7 – 12:14