Parashá

Torah

Parashá Vayicrá ( E Chamou ) – Levítico 1:1 – 5:26

Resumo:

Iniciamos a leitura do terceiro livro da Torá ( Pentateuco ) , que chama-se Vayikrá “ e chamou “, palavra pela qual, também inicia-se a Parashá desta semana.

Na linguagem talmúdica é o Sefer Torat Cohanim ( Livro dos Sacerdotes ). No entanto na versão dos Setenta, deu-lhe o nome de Levítico. Todavia, esta denominação não expressa o seu real conteúdo, pois de fato o livro trata dos Levitas de forma pontual e esporádica, seu conteúdo real seria os Cohanim ( Sacerdotes ) e ao culto em geral. Chamaram-no assim, tendo em vista que Arão e seus filhos, os sacerdotes pertenciam a tribo de Levi. O livro é essencialmente legislativo, com diversas leis explicitadas.

“ Ele chamou Moisés“, como consta no versículo inicial de nossa Parashá, segundo Rashi explica “ Toda vez que D’us Se comunicou com Moisés – seja pela expressão – ELE FALOU , ou ELE DISSE, ou ELE ORDENOU – isso sempre foi precedido por D’us chamando Moisés pelo seu nome, pois chamar é uma expressão de afeto.

O Midrash declara que o Livro de Vayicrá é especial pois “ esta repleto de leis “. Á primeira vista, ele compartilha esta qualidade com o livro de Devarim ( Deuteronômio ) que também é descrito como “ repleto de leis “.

Segundo Tosfot “ ele é o mais difícil dos Cinco Livros de Moisés “. Sendo o mais difícil de entender, o Livro de Vayicrá demanda mais esforço de seu leitor, alçando-o a novos níveis de entendimento e realização espiritual.

Segundo as tradições judaicas, as crianças iniciam o estudo da Torá com o livro de Vayicrá.

A porção começa com as instruções de D’us para as oferendas voluntárias, em Vayicrá 1:1.

Em 1:3, temos as observações sobre a oferenda queimada de gado.

Misticamente falando, o sacrifício representa uma unificação com D’us. Assim, a palavra “sacrifício” em hebraico, esta etimologicamente relacionada a palavra “aproximação”, indicando que, ao oferecer um sacrifício, a pessoa apróxima os atributos de sua alma a D’us.

Em 1:10, temos agora a oferenda queimada de carneiros e cabras.

Nossos Sábios disseram: “ Aquele que estuda as leis de oferecer um sacrifício é considerado como alguém que ofereceu de fato um sacrifício”.

Em 1:14, temos a oferenda queimada de pássaros, e suas instruções.

Temos um comentário adicional a respeito da oferenda de um homem pobre. Diferente de uma pessoa rica que pode oferecer sacrifícios voluntários de animais e pássaros caros no Templo, o homem pobre só pode oferecer farinha. Não obstante, a Torá atribui maior importância a oferenda do homem pobre, como Rashi escreve “ Eu considero isto como se ele tivesse sacrificado sua própria alma!”. ( Baseado em Likutei Sichot, vol 27, p.15 ).

Depois temos diversas outras oferendas :

• A oblação – 2:1
• A oferenda cozida – 2:4
• A oferenda de frigideira – 2:5 -6
• A oferenda frita na panela – 2:7
• As leis referentes a todas as oblações – 2:8 – 13

Aqui fazemos uma inferência – O sal deverá ser oferecido em todas as oferendas 2:13. Diz o Midrash que D’us fez um pacto com o sal: que ele conserve os alimentos e que ele mesmo nunca se estrague nem cheire mal.

Seguimos com :

• A oferenda do Ômer - 2:14-16
• A oferenda de paz de gado – 3:1- 5
• A oferenda de paz de carneiros e cabras – 3:6-16
• Gorduras e sangues proibidos – 3:17
• A oferenda de Pecado – 4:1-2

Sobre a oferenda de pecado acima citada, citamos uma parábola relatada no Midrash Rabá : “ Quando uma alma pecar por erro – porque a Torá utiliza o termo Nefesh ( alma ) e não, como seria normal, Adám ou Ish ( alguém ) ? Eis a explicação, através de uma bela “ alegoria” : Um rei tinha um lindo pomar com maravilhosas árvores frutíferas. Para que ninguém pudesse furtar as belas frutas, colocou dois guardas, um coxo e um cego, tornando-os responsáveis por qualquer roubo. Um belo dia, o coxo disse ao cego: Que linda fruta temos nós na nossa frente; por que não devemos deliciar-nos com ela ? Respondeu o cego: E por que não ? Traga-me uma. Impossível, replicou o coxo: você não vê que, como coxo, não posso subir na árvore? E eu- suspira o cego – ainda menos posso fazer algo, pois não vejo nada. Ambos os guardas começaram a pensar na melhor maneira de concretizar o plano de ação. E encontram uma solução. O coxo montou em cima do cego, alcançaram as árvores que tinham em mira, arrancaram quanto lhes deu vontade, encheram ainda os bolsos e cestos, voltando depois cada um para o seu lugar, como se nada extraordinário tivesse acontecido. Dias depois o rei apareceu inesperadamente e reparou o acontecido. O que fizeram com a fruta desta e daquela árvore? – indagou furioso. Majestade – começa o cego a desculpar-se assustadíssímo – serei eu, que não vejo nada o culpado? Poderei eu- o completamente aleijado -ter feito isso? Suplicou o coxo. Eu não posso me mexer do lugar! Que fez o rei? Montou o coxo em cima do cego e exclamou: Eis a maneira como vocês dois praticaram o roubo.”

Depois da morte, quando o homem se apresenta perante o tribunal Divino, perguntarão a Neshamá ( alma ): Por que pecaste? E ela responderá: Criador do Universo, não fui eu que pequei, mas sim o meu corpo ( Guf ) e a prova é que mal me livrei dele, abandonei a terra, voando agora nestas esferas limpas e puras, como um passarinho inocente. Então o júri celestial dirigirá a pergunta ao corpo: E tu, por que pecaste? Eu? Responderá o corpo.- Acaso tenho eu forças para pecar? Ela, a alma, é a instigadora das minhas transgressões: pois vede, ilustres juízes, mal a alma me abandonou, estou completamente paralisado, um cadáver morto, como uma pedra. Que fará então D’us? Colocará a alma dentro do corpo e ambos serão julgados.

Na sequencia temos diversas outras oferendas :
• A oferenda de pecado do sumo sacerdote – 4:3-12
• A oferenda de pecado comunal – 4:13-21
• A oferenda de pecado para o rei – 4:22-26
• A oferenda de pecado para pessoas comuns – 4:27 – 35
• A oferenda de Culpa variável – 5:1-13
• A oferenda de culpa por malversação – 5:14-16
• A oferenda de culpa em caso de dúvida – 5:17-19
• A oferenda por desonestidade – 5:20-26

A Haftará de Vayicrá esta em Isaías 43:21 – 44:23