Parashá

Torah

Parashá Vaigash ( que significa “ele aproximou-se” ) – Gênesis - 44:18 – 47:27

Resumo:

Na Parashá “Vaigash”, assistimos a reconciliação entre José e seus irmãos e ao reencontro de José com Jacob, seu pai. A tensão dramática que começou na Parashá Vaieshev agora se resolve. A família escolhida novamente esta completa, e Jacob por fim pode ansiar por dedicar o resto da vida a prepará-la para o seu destino – tornar-se a nação a receber a Torá, sua ferramenta e guia para o cumprimento do objetivo supremo da criação: transformar o mundo na desejada morada de D’us.

Além disso, há um subenredo importante que também é solucionado nesta Parashá: o conflito ideológico entre José, por um lado, e seus irmãos (liderados por Judá), pelo outro.

Esse conflito espiritual entre José e Judá, girava em torno da questão de qual abordagem serviria mais eficazmente á causa da disseminação da consciência Divina. José era a favor da participação proativa do mundo, com a utilização de seus instituições, cultura, tecnologia e energia emocional para fins sagrados. Seus irmãos, orientados por Judá, preferiam afastar-se do mundo e das tentações e armadilhas que ele apresenta, optando por devotar-se a tarefa incessante de aumentar sua própria santidade e assim inspirar o resto do mundo a finalmente juntar-se a eles e imitar o seu comportamento.

As prioridades distintas de José e seus irmãos refletiam-se em suas profissões: enquanto José veio a ser um habilidoso administrador e estadista, profundamente envolvido em assuntos materiais, seus irmãos tornaram-se pastores, quase sem contato nenhum com a sociedade, dispondo de muito tempo para meditar sobre a magnificência da natureza e ligar-se estreitamente a D’us.

Embora cada um desses enfoques possua suas vantagens inerentes, Jacob claramente apoiava o de José, como vimos. Porém, ainda que Jacob estivesse certo ao reconhecer que a visão de José é a mais primordial para a vitória na luta como viés antidivino do mundo, a posição de Judá é igualmente essencial, sendo, na realidade, complementar a de José.

A falha na abordagem de José é que ela deixa espaço demais para a vanglória. Por maior que seja nossa dedicação a D’us e a realização da missão que Ele nos confiou, o fato de termos que empregar nossa própria inteligência, criatividade, perspicácia, iniciativa e coragem para alcançar nossas metas elevadas pode envaidecer-nos. Além de ter efeito prejudicial intrínseco sobre nosso crescimento espiritual e relacionamento com D’us, essa vaidade também mina nossa chance de sucesso na disseminação da consciência Divina, pois mesmo uma presença extremamente sutil de ego no interior de nossa psique nos impede de identifica-lo em nosso ambiente e erradicá-lo. Como veremos, foi essa a razão oculta, espiritual, para que José não conseguisse tomar posse das terras dos sacerdotes idólatras, quando obteve a propriedade de todo o reino do Egito.

Judá, em contraposição, personificava a aspiração abnegada a ser absorvido na presença de D’us. Quando adotamos essa atitude, nossas interações com o mundo caracterizavam-se pelo autosacrifício – a devoção a vontade de D’us sem nenhuma busca de autoengrandecimento nem preocupações com possíveis repercussões pessoais. A síntese da abnegação de Judá com a destreza de José permite-nos, portanto, exercitar todos os talentos que D’us nos deu, sem sucumbir a perniciosa soberba.

Por isso esta Parashá se intitula Vaigash ( ele se aproximou ), uma referencia ao movimento de Judá de achegar-se a José. A fim de garantir o sucesso em nossa missão, devemos, como José, deixar Judá aproximar-se de nós e complementar-nos.

Conforme observamos, Jacob preferia José e suas qualidades a Judá e as suas porque entendia que as qualidades de José forneceriam ao povo judeu as habilidades de que necessitaria para sobreviver, prosperar e atingir seus objetivos na longa jornada rumo ao futuro messiânico. Assim que o proposito supremo for alcançado, porém, não mais será preciso dar primazia a José e sua abordagem, pois a abnegação de Judá então será nosso estado de consciência dominante. Por isso, Judá é ancestral direto do Messias – são especificamente as suas caraterísticas que nos conduzirão da mentalidade do exilio a da Redenção.

Neste sentido, Judá prenunciou a Redenção quando se aproximou de José, sem saber que era seu irmão, Judá exigiu comportamento ético do individuo que ele presumia ser um déspota imoral: desta maneira, ele fez com a verdade fosse revelada. Similarmente, quando insistimos, com obstinação, em seguir os padrões de conduta ética e moral da Torá, mesmo que isso seja ridicularizado em nosso ambiente cultural, a sociedade por fim consente e, como fez o Faraó para com a família de Jacob, até nos ajuda a realizar nossa missão Divina.

A lição a ser aprendida da Parashá Vaigash, portanto, é que devemos manter o equilíbrio adequado entre criatividade e abnegação, lembrando sempre que a chave para a superação de nosso exilio, ao mesmo tempo coletivo e pessoal, é cultivar a mentalidade da Redenção. Não é nos esquivando de nosso destino, e sim assumindo o nosso papel de representantes da Torá perante a humanidade, que conseguiremos sobreviver ao exilio e também apressar a Redenção, trazendo com isso união e paz verdadeiras para o mundo inteiro.

A HAFTARÁ DE VAIGASH ESTA EM : EZEQUIEL 37:15-28